
Aqueles que me conhecem sabem de minha paixão pelas artes cênicas, então, por que não falar sobre isso?
Leis de fomento? Rouanet? Mecenato? Almeida? Sei lá, tanta coisa para falar de algo tão belo e que deveria ser simples e acessível.
Antes de falar sobre isso, aliás, nem precisa falar sobre isso, mas falar do público, nada além de nós, eu e você, você e eu (juntinhos) como diria Tim Maia, mas o programa Jantar e Teatro ou Teatro e Jantar esta meio de lado, vejo muito pelas “cybers-cantadas” quando respondo que gosto muito de ir ao teatro, ou a resposta é “nossa, como você é…” ou então algo logo chega ao assunto: dinheiro! Putz, mas será que ainda vivemos num mundo onde se acredita realmente que teatro é para os bem-nascidos? (as vezes, observo que nem muitos deles pensam assim, pois as vezes parece que teatro é apenas para os mais cultos), fico indignado!
Dia desses, eu estava participando de uma reunião, onde foi falado justamente sobre o ato transformador do teatro, e um antigo ator chega as lágrimas ao apresentar seu depoimento, em que ele estava as margens da marginalidade quando conheceu ao teatro e desde então, mudou completamente sua forma de ver o mundo, e este mesmo ator falou uma frase que ouviu de um visinho, que era assim “eu não vou ao teatro, esta todo mundo chique, e eu num tenho roupa para isso”, dai eu automaticamente lembrei de uma cena engraçada que vi, ano passado, em um espetáculo de amigos, eu estava junto a bilheteria conversando com a produtora, quando chegou uma mulher, visivelmente nervosa, vestida em um longa cheio de brilhos e um chapéu (nada discreto), no mesmo instante eu perguntei a produtora se era uma performance e ela segurando o riso, disse que não…
Sabe o que isso quer dizer?
Provavelmente a pobre moça nunca havia ido ao teatro, ou então, estava acostumada a certas apresentações da TV que mostram teatros mais clássicos (em projetos de época) onde se vestiam assim, e eu com meu tênis allstar azul, jeans e camisa não estava entendendo aquela participação pitoresca. Talvez seja esse o problema, falta de costume, mas isso vem de onde? Educação? Agora vamos ter educação musical nas escolas (tomara) e que tal teatro musical? (isso é raro, meu Deus!!)
Somente para sentir como esta a situação, nessa terça-feira (26/08) das 9:30h as 12hs no Memorial da America Latina, haverá inicio de uma discussão muito importante, a formação de público, dai temos: secretaria da educação, secretaria da cultura, produção cultural e claro, a classe artística, cujo trabalho deve estar (na minha humilde opinião) focado em desenvolver um bom trabalho para encantar o público de primeira viagem, elevar o incentivo as produções culturais para que estas tenham condições de baixar os valores de ingresso (e acreditem em mim, é tudo realmente caro e o ingresso já é barato, nesta área para ficar rico, você num precisa ter apenas talento, você também deve jogar na mega sena, caso contrario, esqueça) e todo o esforço para tornar possível que o brasileiro volte a sonhar, eleva sua estima e tenha força para trabalhar.
Ter um público, focado no teatro, tem seus problemas, alguns deles estão relacionados as produções de qualidade duvidosa que ao invez de tornarem possível um público fiel, os assusta e deixam-no diretamente (apenas e exclusivamente) na frente da TV.
O que também devo deixar claro, é que existe produção de todos os tipos para público de todos os tipos, não reclamo da loira que rebolava que agora esta no palco, nem do antigo confinado em casa famosa da TV, mas será que é apenas isso?
Há público que goste de ver trabalhos de Beatriz Segal, Regina Duarte, sheila Melo, Evandro Santo, textos de Ariano Sussuna, Fernando Arrabal, Nelson Rodrigues, Lucianno Maza e por ai vai… não importa, o que é realmente importante é que a arte cênica deve ser feita com amor, e o público certo a conheça, reconheça e prestigie cada vez mais, pois apenas assim teremos a arte como instrumento de renovação, que instigue e questione, seja a maneira que for, através de Stand Up Comedy ou monólogo ou esquete ou de uma tragédia grega ou de ópera, não se deve medir, o que deve ser feito é destinar o público certo ao que é de direito (*a cesar o que é de césar*)
Cristiano Ricardo
Outro Nivel
















































